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Pesquisas apontam Daniel Noboa e Luisa González como favoritos.

 

Em meio a uma onda de violência, de apagões e de dificuldades econômicas, cerca de 11 milhões de equatorianos devem escolher neste domingo (9) o presidente do país e os 151 parlamentares da Assembleia Nacional para o período de 2025 a 2029. O atual presidente, Daniel Noboa, enfrenta 15 candidatos, entre eles a mais bem posicionada nas pesquisas, Luisa González, da Revolução Cidadã, partido do ex-presidente Rafael Correa, que governou o país de 2007 a 2017. As pesquisas dão resultados divergentes: algumas dão vitória para Daniel, e outras mostram Luisa à frente no primeiro turno.

Em outubro de 2023, o direitista Noboa venceu González, de centro-esquerda, no segundo turno por 52% dos votos. Ele foi eleito para um mandato tampão de 15 meses depois que o então presidente Guilherme Lasso dissolveu o Parlamento e convocou eleições antecipadas.

Para levar a eleição no primeiro turno no Equador, o candidato tem que ter mais de 50% dos votos ou mais de 40% e uma distância de 10% do segundo colocado. Todas as pesquisas têm indicado um segundo turno entre Daniel Noboa e Luisa González.

Criminalidade

Em cinco anos, os homicídios aumentaram 588%, tornando o Equador um dos países mais violentos da América Latina. De uma taxa de 7 assassinatos por 100 mil habitantes, em 2019, o pequeno país de 17 milhões de pessoas registrou, em 2024, 38 homicídios a cada 100 mil pessoas.

Ao menos desde 2021, o Equador é sacudido por rebeliões, motins e guerras entre facções do crime organizado. Menos de três meses após Noboa assumir o governo, explosões, sequestros e até a invasão de um telejornal ao vivo por criminosos levaram o presidente a declarar o país em conflito armado interno, classificar os grupos criminosos como terroristas e ampliar os poderes dos militares na segurança pública.

As medidas resultaram no aumento das denúncias de torturas, execuções e prisões arbitrárias no país, vitimando principalmente a população mais pobre. Em janeiro deste ano, foram achados os corpos de quatro adolescentes que tinham sido presos por militares, em Guayaquil, fato que chocou a opinião pública equatoriana e levou à prisão de 16 agentes das Forças Armadas.

Para o especialista em América Latina Salvador Schavelzonm a resposta de Noboa de “mão dura” contra o crime tem muito efeito midiático, mas não necessariamente gera soluções.

Muitas vezes tem presos, mas os cartéis continuam funcionando, os grandes nomes do tráfico também não são necessariamente presos, [atuando] inclusive em cumplicidade com militares e com o poder político. Ou seja, é uma violência contra os mais pobres, que acabam pagando o custo. As forças de segurança também não sabem como lidar e vira uma questão mais midiática, e a eleição expressa isso”, afirmou.

Já Irene León destacou que a política de segurança de Daniel Noboa não considera o setor exportador e a lavagem de dinheiro, onde estariam, segundo a socióloga, os núcleos que permitem ao crime organizado continuar operando no país.

Na guerra de Novoa, esses setores não têm sido tocados, mas quem está sendo agredido muito são os pobres e os afrodescendentes”, afirmou.

ClickPB 

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