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A estimativa do setor financeiro é que a nova modalidade chegue a R$ 120 bilhões

O novo empréstimo consignado para trabalhadores do setor privado chegou a R$ 1,28 bilhão em concessões nos primeiros sete dias de operação, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Foram 193,7 mil contratos desde o lançamento, na sexta-feira passada (21), até a quinta-feira (27).

Os interessados enviaram 11,6 milhões de propostas de crédito neste período, e o valor médio do empréstimo foi de R$ 6.623,48, com parcelas médias de R$ 347,23, e prazo médio de pagamento de 19 meses.

A título de comparação, a carteira total do consignado privado pelo modelo antigo, de convênios entre os bancos e as empresas, tinha saldo de R$ 41,1 bilhões em janeiro, conforme dados do Banco Central.

A estimativa do setor financeiro é que a nova modalidade chegue a R$ 120 bilhões, por ter menos barreiras de entrada para os trabalhadores.

Esse grande volume de recursos em apenas sete dias mostra a necessidade dos trabalhadores por crédito, que buscam recuperar sua saúde financeira trocando opções mais caras, como o crédito rotativo do cartão, por alternativas mais acessíveis", disse em nota o ministro em exercício da pasta, Francisco Macena.

Cautela

Ainda segundo ele, é recomendável que os trabalhadores contratem o crédito "com calma", avaliando as condições financeiras e buscando a oferta mais vantajosa.

É recomendável, inclusive, aguardar um número maior de instituições financeiras apresentarem suas ofertas", disse ele.

A expectativa é que as maiores instituições financeiras, como Bradesco, Itaú, Santander e Nubank, ofereçam a nova linha de crédito a partir de 25 de abril, quando poderão oferecer o consignado nos próprios aplicativos.

Caso queira cancelar o empréstimo contratado, o trabalhador tem sete dias corridos a partir do recebimento do crédito para devolver o valor integral ao banco que o concedeu. Ele também pode migrar para uma oferta mais vantajosa se for o caso, afirma o MTE.

COMO FUNCIONA O NOVO TIPO DE CRÉDITO?

A nova modalidade de empréstimo consignado pode ser acessada diretamente pela Carteira de Trabalho Digital. O sistema permitirá que os empregados consultem ofertas de crédito e autorizem o compartilhamento de seus dados com bancos habilitados.

Acesso ao crédito

Na primeira fase, os interessados devem entrar na plataforma e permitir que instituições financeiras acessem informações como nome, CPF, tempo de empresa e margem consignável. Em até 24 horas, o trabalhador receberá propostas e poderá escolher a melhor opção. A partir de 25 de abril, os bancos também poderão oferecer essa linha de crédito nos próprios aplicativos.

Portabilidade e migração

A partir de 6 de junho, será possível transferir o empréstimo para outras instituições que ofereçam taxas mais vantajosas. Além disso, quem já tem um consignado poderá migrar para o novo modelo dentro do mesmo banco em até 120 dias.

Juros menores, mesmo com a Selic alta

Uma das principais mudanças é a redução das taxas de juros. Atualmente, a média dos empréstimos para trabalhadores do setor privado chega a 103% ao ano, enquanto a nova modalidade deve reduzir esse valor para cerca de 40%. Essa queda é possível porque o pagamento será descontado diretamente na folha de pagamento via eSocial, diminuindo o risco de inadimplência para os bancos.

Limites e garantias

O trabalhador poderá comprometer até 35% do salário com as parcelas do empréstimo. Em caso de demissão, será possível usar até 10% do FGTS e a multa rescisória de 40% do saldo do fundo para quitar parte da dívida. Se ainda restarem valores pendentes, a cobrança continuará sendo feita automaticamente caso o trabalhador consiga um novo emprego com carteira assinada.

A iniciativa pode beneficiar até 19 milhões de trabalhadores nos próximos quatro anos, movimentando cerca de R$ 120 bilhões no mercado de crédito.

Diário do Nordeste

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